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Devassas e “mal-procedidas”

Devassas e “mal-procedidas”
Devassas e “mal-procedidas”

Autor: Oliveira, Lisa Batista de

Editora: Appris Editora

Idioma: por
Ano: 2019
Idioma: por

R$ 80,00

Frete Grátis Brasil

Prazo de entrega:

Sul e Sudeste de 5 a 7 dias

Centro-Oeste, Norte e Nordeste de 10 a 15 dias

Escravas e libertas, ao se relacionarem intimamente com homens brancos, subverteram os padrões hierárquicos da sociedade escravista das Minas Gerais do século XVIII, deslocando as relações de dominação e criando poderes informais femininos definidos como contrapoderes ilícitos fundamentados na sedução que proporcionavam uma existência mais livre. Estratégia advinda dos tempos do cativeiro, o “mau uso de si” inseria-se em uma tradição cultural efetivada pela prática social de mulheres forras. Mulheres sós, dispostas a sobreviver com o ganho de seus corpos, as libertas transmitiam às filhas uma cultura de resistência através da sedução. Brancas pobres, sem dotes, que não atuavam na preservação da propriedade de ricos senhores de escravos, também criaram táticas de sobrevivência por meio dos “tratos ilícitos”. Eram consideradas “mal-procedidas” tanto mulheres que se entregavam a relações conjugais não ortodoxas, quanto aquelas que aderiam efetivamente ao comércio sexual, o que revela os tênues limites entre práticas desviantes como os concubinatos e prostituição. Algumas mulheres possuíam mais de um concubino e meretrizes despertavam amores, estabelecendo relações de mancebia com vários homens. O “viver meretrizmente” designava a vida fora dos padrões convencionais de mulheres solteiras ou de maridos “ausentes”, com todo comportamento “desregrado” confundindo-as com prostitutas. As “mal-procedidas”, com suas “putarias e mancebias”, eram mulheres profanas e perigosas devido à sua prole ilícita e miscigenada, concebida fora do matrimônio sacramentado.

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